Um debate perigoso em torno da criminalização da homofobia

domingo, 26 de junho de 2011


Durante a semana que passou iniciei uma discussão muito polêmica e popular no Facebook. O assunto é a discussão sobre homofobia na novela Insensato Coração. Minha teoria é que o debate, se é que podemos chamar assim, sobre o assunto pode causar mais danos do que benefícios para os homossexuais.

Entrar nessa discussão sempre é complicado. Principalmente quando você é heterossexual. As pessoas tendem a achar que você é homofóbico. Fato que realmente não sou e tampouco simpatizante do Deputado Bolsonaro. Porém, tenho que dizer que muitos homossexuais não estão enxergando com clareza a discussão que a novela está promovendo.

Como heterossexual – virou qualificação dizer isso agora – acompanho o folhetim global com minha família e com amigos que também são heteros. Pelo menos imagino que sejam e dessa forma comecei a ver a novela com outros olhos e principalmente entender que a discussão sobre a homofobia em Insensato Coração não é positiva para os gays.

No livro Understanding Media (1964), Marshall McLuhan deixa claro que a imagem da televisão funciona como uma arma. Na essência um revolver não é bom nem mal. Dessa forma a informação da televisão quando disparada e atinge as pessoas certas, vai, obviamente, ter reflexos bons. Mas, e quando essa informação é absorvida pelas pessoas erradas?

Na discussão acalorada no Facebook teve gente que não entendeu direito minhas posições. Pois bem, continuo afirmando que a Rede Globo está “forçando a barra” ao praticamente obrigar que as pessoas pensem que ser “gay” é legal, quando na verdade a discussão deveria ser que todos devem ter seus direitos preservados. Independente de sua opção sexual.

O que tenho notado é que a campanha está causando um efeito contrário do que os movimentos de igualdade dos homossexuais pensam. A verdade é que toda essa discussão está fomentando o ódio e o preconceito em muita gente.  Posso garantir que a personagem Cléber interpretado por Cássio Gabus Mendes, tem muita simpatia.

O fato é que vivemos em uma sociedade onde as pessoas que dizem o que pensam são severamente condenadas. Essa onda que te arrasta para o modo politicamente correto de viver impede que se enxergue o real perigo dessa discussão. Ainda não deve existir nenhuma levantamento sobre a popularidade do personagem Cléber de Insensato Coração. Porém, é visível que muita gente tem se posicionando contra o projeto de Lei que criminaliza a homofobia.

Pesquisa realizada no ano de 2009, pela Fundação Perseu Abramo, mostra que um em cada quatro brasileiros é homofóbico. O coordenador da pesquisa foi o professor Gustavo Venturi da Universidade de São Paulo. Ele considerou homofóbico as pessoas que tem uma forte ou fraca tendência em transformar seu preconceito em formas de discriminação reais.

Outro dado revelado pela pesquisa é que o preconceito é maior nas camadas da população que tem menor escolaridade, mas que o preconceito está distribuído em todas as camadas sociais. Para o professor Venturi a criação de leis que coíbam o preconceito vai causar uma diminuição nos índices de homofobia.

Veja bem, a pesquisa considera que um em cada quatro brasileiros tem tendência a ser homofóbico. Mas os índices de preconceito podem ser maiores, tendo em vista que a pesquisa só considerou homofóbico quem declarou frases como: “homossexuais são quase sempre promíscuos”, “homossexualidade é safadeza” ou “a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”.

Dentro dessa lógica, tenho visto que muitas pessoas estão se posicionando contrárias ao projeto de Lei da Homofobia. Principalmente porque a novela das nove da Rede Globo, Insensato Coração, exerce um poder muito grande de influência sob o telespectador. MacLuhan defende que é típico que o conteúdo de qualquer meio nos cegue para a natureza desse mesmo meio. Por isso, acredito que muitos homossexuais estão cegos ao pensar que a Rede Globo quer realmente fomentar a discussão.

Noto que não existe uma discussão sobre a homofobia e sim o pensamento único que a emissora dos Marinhos quer colocar na cabeça da sociedade. Sim, a ideia é exatamente essa, pensamento único. O que estamos assistindo é a tese única que os homossexuais são intocáveis, quando na verdade não são. Eles são pessoas como qualquer outro cidadão.

Em outro texto deixei claro que o direito de pensar e defender esse pensamento são intocáveis e garantidos pela constituição. Por isso, entendo que as pessoas têm o direito de se colocarem contra o homossexualismo e esse direito não está sendo respeitado pela novela. Crucificar o personagem Cleber é não respeitar a realidade. No momento que ele expulsou o casal homossexual do bar, os autores deveriam, no mínimo, ter pensado em colocar outros personagens defendendo o garçon/jornalista. Mas o que se viu foi exatamente o contrário, vimos o pensamento único.

Que fique bem claro que não sou homofóbico e tampouco preconceituoso. Estou defendendo uma tese sobre Direito de Expressão e não uma expressão a favor da homofobia. Muito pelo contrário. Um país livre, só vai ser realmente democrático no dia que leis desse tipo não forem mais necessárias. Nossa constituição deve defender o ser humano.

Pensando dessa forma entendo que a novela Insensato Coração está tirando do armário outro tipo de pessoa. Não aquele que ainda não sabe qual é sua opção sexual e sim aqueles que vão formar uma massa de pessoas movidas pelo preconceito. Esses vão ser os responsáveis pela derrubada do Projeto de Lei da Homofobia no Congresso Nacional, pela reeleição de Bolsonaro e por um país mais preconceituoso do que já é. Fica a mensagem.

Bibliografia:
MacLuhan, Marshall. Undestanding Media. Os meios de comunicação com extensão do homem. São Paulo. CULTRIX. 1964
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